Transtorno do Pânico

Quais os sintomas físicos de uma crise de pânico?

Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente (apesar de existir, mas fica difícil de se perceber). Os sintomas são como uma preparação do corpo para alguma “coisa terrível”. A reação natural é acionar os mecanismos de fuga. Diante do perigo, o organismo trata de aumentar a irrigação de sangue no cérebro e nos membros usados para fugir – em detrimento de outras partes do corpo, incluindo os orgãos sexuais. Eles podem incluir :

- Contração / tensão muscular, rijeza
- Palpitações (o coração dispara)
- Tontura, atordoamento, náusea
- Dificuldade de respirar (boca seca)
- Calafrios ou ondas de calor, sudorese
- Sensação de “estar sonhando” ou distorções de percepção da realidade
- Terror – sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a acontecer e de que se está impotente para evitar tal acontecimento
- Confusão, pensamento rápido
- Medo de perder o controle, fazer algo embaraçoso
- Medo de morrer
- Vertigens ou sensação de debilidade

Uma crise de pânico dura caracteristicamente vários minutos e é uma das situações mais angustiantes que podem ocorrer a alguém. A maioria das pessoas que tem uma crise terá outras (se não tratar). Quando alguém tem crises repetidas ou sente muito ansioso, com medo de ter outra crise, diz-se que tem transtorno do pânico

O que é o transtorno do pânico?

Transtorno do pânico é um problema sério de saúde. Este distúrbio é nitidamente diferente de outros tipos de ansiedade, caracterizando-se por crises súbitas, sem fatores desencadeantes aparentes e, frequentemente, incapacitantes. Depois de ter uma crise de pânico – por exemplo, enquanto dirige, fazendo compras em uma loja lotada ou dentro de um elevador – a pessoa pode desenvolver medos irracionais (chamados fobias) destas situações e começar a evitá-las. Gradativamente o nível de ansiedade e o medo de uma nova crise podem atingir proporções tais, que a pessoa com o transtorno do pânico pode se tornar incapaz de dirigir ou mesmo pôr o pé fora de casa.

Neste estágio, diz-se que a pessoa tem transtorno do pânico com agorafobia. Desta forma, o distúrbio do pânico pode ter um impacto tão grande na vida cotidiana de uma pessoa como outras doenças mais graves – a menos que ela receba tratamento eficaz e seja compreendida pelos demais.

O que causa o transtorno do pânico? Por que ele ocorre?

De acordo com uma das teorias, o sistema de “alerta” normal do organismo – o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça – tende a ser desencadeado desnecessariamente na crise de pânico, sem haver perigo iminente. Algumas pessoas são mais suscetíveis ao problema do que outras. Constatou-se que o T.P. ocorre com maior frequência em algumas famílias, e isto pode significar que há uma participação importante de um fator hereditário (genético) na determinação de quem desenvolverá o transtorno. Entretanto, muitas pessoas que desenvolvem este transtorno não tem nenhum antecedente familiar.

O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação que ocorre entre os neurônios (células do sistema nervoso). Estas comunicações formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais de nosso organismo (ex: andar, pensar, memorizar, etc). Um desequilíbrio na produção destes neurotransmissores pode levar algumas partes do cérebro a transmitir informações e comandos incorretos. Isto é exatamente o que ocorre em uma crise de pânico: existe uma informação incorreta alertando e preparando o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe. É como se tivéssemos um despertador que passa a tocar o alarme em horas totalmente inapropriadas. No caso do Transtorno do Pânico os neurotransmissores que encontram-se em desequilíbrio são: a serotonina e a noradrenalina.

O transtorno do pânico é um problema sério?

O T.P. já é considerado um problema sério de saúde. Atualmente 2 a 4% da população mundial sofre deste mal, que acomete mais mulheres do que homens em uma proporção de 3 para 1. Há muito que o T.P. deixou de ser um diagnóstico de exclusão. Hoje, mais do que nunca, há necessidade de um diagnóstico de certeza para tal entidade clínica. As pessoas que sofrem deste mal costumam fazer uma verdadeira “via-crucis” a diversos especialistas médicos (”doctor shopping”) e após uma quantidade exagerada de exames complementares recebem, muitas vezes, o patético diagnóstico do “nada”, o que aumenta sua insegurança e seu desespero. Por vezes esta situação dramática é reduzida a termos evasivos como: estafa, nervosismo, stress, fraqueza emocional ou problema de cabeça. Isto pode criar uma incorreta impressão de que não há um problema de fato e de que não existe tratamento para tal patologia.

O T.P. é real e potencialmente incapacitante, mas pode ser controlado com tratamentos específicos. Por causa dos seus sintomas desagradáveis, ele pode ser confundido com uma doença cardíaca ou outra doença grave. Frequentemente as pessoas procuram um pronto-socorro quando têm a crise de pânico e podem passar desnecessariamente por extensos exames médicos para excluir outras doenças.

Os médicos em geral tentam confortar o paciente em crise de pânico, fazendo-o entender que não está em perigo. Mas estas tentativas podem às vezes piorar as dificuldades do paciente: se o médico usar expressões como “não é nada grave”, “é um problema de cabeça” ou “não há nada para se preocupar”, isto pode produzir uma impressão incorreta de que não há problema real e de que não existe tratamento ou de que este não é necessário, conforme já comentado.

Qual é a população atingida?

As pessoas que tem o T.P., em sua maioria, são pessoas jovens (faixa etária de 21 a 40 anos), que encontram-se na plenitude de suas vidas profissionais. O perfil da personalidade das pessoas que sofrem do T.P., costuma apresentar aspectos em comum: geralmente são pessoas extremamente produtivas à nível profissional, costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres, são bastantes exigentes consigo mesmos, não convivem bem com erros ou imprevistos, têm tendência a se preocuparem excessivamente com problemas cotidianos, alto nível de criatividade, perfeccionismo, excessiva necessidade de estar no controle e de aprovação, auto-expectativas extremamente altas, pensamento rígido, competente e confiável, repressão de alguns ou todos os sentimentos negativos (os mais comuns são, o orgulho e a irritação), tendência a ignorar as necessidades físicas do corpo, entre outras. Essa forma de ser acaba por predispor estas pessoas a situações de stress acentuado, fato este que pode levar ao aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e conseqüentemente o aparecimento do T.P..

Vale ressaltar ainda que alguns medicamentos como anfetaminas (usados em dietas de emagrecimento) ou drogas (cocaína, maconha, crack, ecstasy, etc), podem aumentar a atividade e o medo promovendo alterações químicas que podem levar ao T.P..

Para as pessoas que não tem, e para as que possam vir a conviver com o problema:

O T.P. não é loucura, nem “frescura”. Infelizmente é comum que os distúrbios psíquicos sejam interpretados como simples fraqueza de caráter. O melhor jeito para conviver com uma pessoa que passou pelo T.P., É compreender pelo que a pessoa passa; fazendo com que essa pessoa saiba que você entende o que se passa com ela, isso irá tranquilizá-la, trazendo bem-estar, pois é bem difícil se ter um “ataque”, perante uma pessoa ou ambiente que conheça o problema, junto com um “tratamento”, preferencialmente, tratado por um psiquiatra. Pois os que sofrem com o transtorno do pânico são ótimas companhias, devido a sua sensibilidade apurada, pois uma experiência ruim algumas vezes frutifica em crescimento interior. E sempre mantenha essa pessoa normalmente convivendo com suas atividades, percebendo as suas limitações e não “forçando nenhuma barra”. Aos poucos a vida volta a normalidade.

- O Transtorno do Pânico é comum, pode ser claramente definido, diagnosticado e tratado;
- O conhecimento obtido através da pesquisa está resultando num aperfeiçoamento da diagnose, tratamento e qualidade de vida das pessoas que sofrem do distúrbio do pânico;
- Preparação profissional: Com o aumento da informação, tornando as pessoas cientes do distúrbio, assim médicos e profissionais de saúde mental, devem se preparar para o diagnósticar e/ou tratar do distúrbio do pânico.

——————————————————————————–

” E nenhum Grande Inquisidor tem prontas tão terríveis torturas como a ansiedade tem; e nenhum espião sabe como atacar mais inteligentemente o homem de quem ele suspeita, escolhendo o instante em que ele está mais fraco; ou sabe onde colocar armadilhas em que ele será pego e enredado, como ansiedade sabe e nenhum juiz é mais esperto e sabe interrogar melhor, examinar, acusar como ansiedade sabe, e nunca o deixa (a vítima) escapar, nem através de distrações, nem através de barulhos, nem divertindo, nem brincando, nem de dia nem de noite…”

Soren Kierkegaard, The Concept of Dread.

http://valleser.rumo.com.br/pan.htm

Encontrado em: Medicina Integrativa

O Stress no ambiente de trabalho

Chefes tiranos, prazos apertados, colegas de trabalho que não colaboram e não perdem uma oportunidade de puxar o tapete alheio, e a sombra eterna do medo da perda do emprego, compõem um quarteto que comprometem a resistência emocional de qualquer um. Tudo isso seria facilmente relevado por você, se não fosse pelo último componente gerador de estresse: Seu emprego… É público e notório que empregado estressado não rende. Ao contrário: o estresse gerado por um ambiente de trabalho acaba repercutindo na vida pessoal e no corpo de quem é o alvo da situação. Daí para as enxaquecas, as crises de insônia, o mau-humor crônico, os lapsos de memória, a queda da auto-estima, a sensação de impotência e angústia diante do ambiente hostil, e muitas outras manifestações físicas decorrentes da situação, é um pulinho. E o que posso fazer para não me estressar tanto? Existem tratamentos naturais que podem ser adotadas no seu dia-a-dia, como a Terapia Floral, a Cromoterapia, a Auriculoterapia e outras técnicas de harmonização e reequilíbrio. Desta forma, aquela enxaqueca causada por excesso de atividade mental vai aos poucos desaparecendo, ou aquela dor de estômago que aparece sempre que seu chefe pendura a plaquinha “Cuidado, chefe raivoso” na porta, vai tomando outro rumo que não seja… seu estômago… Uma grande parte do que conhecemos como doença, é na verdade um desequilíbrio energético causado por um desequilíbrio emocional. Emoções negativas como a raiva, o medo, a impaciência, a mágoa, a insegurança, quando instaladas em nós por muito tempo acabam por atingir nosso corpo físico, num processo chamado de somatização. Ao aprender a lidar com essas emoções, aos poucos vamos voltando à nossa essência original. Quando nos reequilibramos, as situações a que antes estávamos vulneráveis, não nos atingem com tanta intensidade. Se você não pode mudar de emprego, mude de atitude consigo mesma(o)!

Angela Freitas – Terapeuta Holística

As doenças como forma de comunicação

Até pouco tempo creditar padrões emocionais para doenças era uma verdadeira temeridade. Mas os fatores psicossomáticos foram se revelando como causas de inúmeras patologias e hoje se constituem num instrumento valioso na condução do processo de cura. Sabe-se que a doença se origina na mente e não no físico, por isso a cura precisa ser encontrada na mente para materializar-se no corpo, e não ao contrário.

Em entrevista ao jornal O Tempo, Cristina Cairo fala sobre seu processo de despertar, a observação do ser humano como um complexo interligado entre corpo e espírito e a sensibilidade subjetiva que norteia o seu trabalho de leitura dos padrões emocionais e a relação doentia que eles criam com o corpo. A relação apresentada por ela entre as emoções e as doenças é fruto de uma compilação de estudos da filosofia budista, da medicina chinesa, medicina egípcia, psicologia e inúmeras pesquisas realizadas em mais de 20 anos de trabalho com a Linguagem do Corpo.

Você acredita que as pessoas estão se tornando mais conscientes dos sinais emitidos pelo seu corpo e de qualquer forma a compreensão dessa linguagem pode beneficiá-las?

Percebo que a maioria das pessoas ainda não tem consciência dos sinais emitidos pelo seu corpo. A luz do corpo é um guia para a pessoa perceber-se, corrigir-se e direcionar sua vida para um reino harmonioso e feliz onde ela consegue ver onde estão os obstáculos para sua prosperidade. Quando sua conduta, palavras e seus pensamentos são bem direcionados levam-na à evolução espiritual, à saúde total e à realização dos sonhos.

Por que o ser humano adoece tanto?

Porque desconhece que é responsável pelo seu destino. A doença é uma forma primária de expressão do que o indivíduo sente e pensa e uma forma de comunicação para aqueles que desconhecem o poder da auto-estima e do perdão. Quando se compreende o motivo alheio, o perdão é inevitável. O verdadeiro perdão cura o corpo e o destino como um passe de mágica. A linguagem do corpo
só revela para o consciente aquilo que o inconsciente esconde atrás da nossa ignorância.

Cite alguns exemplos de como as emoções podem levar à doença.

A cabeça, sendo centro da razão, fala sobre flexibilidade ou falta dela, a relação com a autoridade e com os pais. A coluna vertebral é o suporte do corpo e representa as raízes genealógicas e tudo que suportamos dos obstáculos da vida. As articulações simbolizam a flexibilidade ou a falta dela com relação às mudanças e outras pessoas. Os ossos simbolizam a estrutura e a formação da personalidade ou da autoridade. Os braços, a ambição.

O trabalho, o desejo de realização profissional e de perseguir ideais. As pernas representam nosso caminhar pela vida. A pele, a proteção da nossa individualidade. A gordura é uma proteção que a pessoa cria contra problemas externos. Problemas cardíacos resultam do sofrimento contido, medo de perdas, sentimento de vingança. Intestino preso é retenção de coisas do passado.
Problemas nos pulmões demonstram bloqueio de motivação da vida. Pessoas que não estão suportando mais os seus aborrecimentos passam a ter dificuldades com a bexiga que simboliza o “suportar”.

Quando uma mulher é dependente de alguém que a tolhe em sua criatividade e é obrigada a deixar de fazer o que gosta, seu útero reage com dores e atraso menstrual. O câncer é um distúrbio celular, é resultado de tumores mentais formados por orgulho excessivo e intransigências. A Aids é considerada incurável pela medicina, mas, na realidade, está no grupo das doenças de autopunição.

De que forma as pessoas podem eliminar esses padrões emocionais negativos?

Caso a doença que você tenha procurado não foi encontrada, não se preocupe. Muitas doenças são curadas sem ao menos se saber os motivos da cura. Basta analisar sua conduta perante seus familiares, superiores e pessoas íntimas e descobrir com quem você está em conflito, mesmo com pessoas já falecidas. Perdoe todas essas pessoas, saiba voltar ao passado, sem ressentimentos.

Descubra se você está em desarmonia com alguém ou se ainda guarda tristezas por acontecimentos do passado.

Na sutra sagrada da Seicho-no-iê lê-se: “Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra. Quando houver a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo. Quando todo o universo se tornar teu amigo, coisa alguma do universo poderá causar-te dano. Se fores ferido por algo ou se fores atingido por micróbios ou por espíritos baixos é prova de que não há reconciliação entre ti e todas as coisas da terra e do céu…”

Fonte: Linguagem do corpo – Cristina Cairo

Spiral Tape

Terapia Inovadora

A Técnica do Esparadrapo Descoberta no Japão há cerca de 20 anos, a spiral taping – técnica indolor e não invasiva – vem sendo utilizada com sucesso no combate a doenças como reumatismo, artrite e lesões decorrentes de práticas esportivas e atividades profissionais.

Por Milton Correia Junior

Parece mágica. O terapeuta cola tiras de esparadrapo sobre a pele do paciente e, em pouco tempo, surge alívio para dores musculares e problemas de articulação. Trata-se da spiral taping – ou técnica do esparadrado, como também é conhecida -, descoberta no Japão há aproximadamente 20 anos pelo técnico em ortopedia e acupunturista Nobutaka Tanaka. Essa técnica consiste na colagem de fitas adesivas, sem medicamentos, sobre lugares específicos do corpo. De acordo com o local de colagem e com o formato da fita, será provocado um estímulo que vai ativar o sistema nervoso, havendo a liberação de substâncias que, além de relaxar os músculos, proporcionarão efeitos analgésico e antiinflamatório. Por isso, a spiral taping é indicada principalmente para doenças como reumatismo, artrite, lesões originadas por práticas esportivas ou decorrentes de esforço repetitivo (LER), além de outros distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.

No Brasil, a técnica está sendo difundida pelo médico japonês Tadamassa Yamada, que, desde 1996, a vem utilizando com bastante sucesso. Formado em medicina por uma faculdade brasileira, o dr. Yamada é o atual presidente da Escola Oriental de Massagem e Acupuntura (Eoma), fundada por seu pai, Tadamichi Yamada, há 23 anos. Segundo o médico, um dos seus alunos foi trabalhar no Japão como massagista e voltou falando da spiral taping. A princípio, ele não se interessou pela técnica, pois achava tratar-se apenas de um modismo. Porém, quando esteve em seu país de origem para fazer estudos de especialização em acupuntura, um dos seus mestres voltou a tocar no assunto e lhe ofereceu um livro sobre o tema. Ao voltar para o Brasil, depois de um vôo de quase 30 horas, Yamada percebeu que estava com uma crise de asma. Lembrou-se, então, de que havia visto na publicação algo relativo a crises asmáticas e resolveu aplicar em si mesmo os esparadrapos. Resultado: a crise passou em 15 minutos, sem que tivesse de lançar mão de medicamentos. Mesmo assim, o médico só começou a utilizar o novo método quando seus mestres vieram ao Brasil e aplicaram a spiral taping em um de seus pacientes que estava com bursite e vinha sendo tratado com acupuntura. Logo após a aplicação das fitas adesivas, ele já conseguiu movimentar o braço sem sentir dores, que não voltaram mais a incomodá-lo. Por isso, Yamada faz questão de dizer que a spiral taping é uma prática curativa, e não meramente pa-liativa. Pode, também, ser usada como um método preventivo por atletas ou pessoas que desejam evitar problemas de saúde decorrentes de práticas esportivas ou profissionais. Método inovador – Por se tratar de uma técnica relativamente nova, ainda não se sabe exatamente como ela funciona. Sabe-se, no entanto, que os princípios são os mesmos da acupuntura. Ou seja: o toque do esparadrapo sobre a pele estimula pontos pelos quais flui a energia vital, redirecionando-a e equilibrando seu fluxo.

É interessante notar que as fitas adesivas não comprimem a pele; trata-se, na verdade, de um estímulo bastante suave, mas, na opinião do médico, de efeitos mais rápidos e intensos que os da acupuntura. Outra característica que diferencia a spiral taping da maioria das terapias é o fato de mesclar os conhecimentos das medicinas oriental e ocidental. Isso porque trata a parte física (músculos, articulações, inervações) e a energética, utilizando pontos e teorias de acupuntura para reequilibrar o fluxo de energia vital. A spiral taping é uma técnica indolor e não invasiva, aplicada duas vezes por semana, em sessões rápidas. O paciente fica com os movimentos livres e, depois de duas horas, pode lavar o local sem problemas. O tempo ideal de permanência das fitas é de três dias; após esse período, a pessoa deverá retornar à clínica para ser reavaliada pelo terapeuta. “É importante que o paciente volte no prazo certo, pois se as tiras de esparadrapo ficarem mais tempo do que o necessário, poderão causar efeito contrário”, alerta o dr. Yamada. O método não possui contra-indicações: deve-se ter cautela somente quando for utilizado durante os primeiros meses de gestação, sobre lesões cutâneas e em pessoas que apresentem qualquer tipo de câncer. Os idosos podem receber as fitas adesivas sem problemas; na verdade, nas clínicas japonesas eles são maioria, já que, com a idade avançada, problemas ósseos, musculares e de articulação tornam-se bastante comuns. Pode-se utilizar a spiral taping como uma terapia de base ou associada a outras técnicas, como acupuntura, massagem e fisioterapia. Ela, porém, não deverá ser empregada se o paciente estiver passando por algum tipo de tratamento que inclua a aplicação de correntes elétricas, utilize bandagens ou outros tipos de adesivos.

Encontrado em: Planeta na Web

Fibromialgia – Abordagem Comportamental

Reações comportamentais na fibromialgia

O reconhecimento das faces do problema

As reações comportamentais dos pacientes que têm que lidar com os sintomas da fibromialgia tem influência direta na evolução das manifestações. A sensação constante de não estar bem, a dor, a fadiga, os distúrbios do sono, a dificuldade de concentração e o estresse são difíceis de lidar. O paciente responde freqüentemente a essas sensações com atitudes negativas como raiva, perda da auto-estima, angústia, culpa, medo ou até as utiliza como ganho secundário. Isso ocorre porque não há nenhum marcador clínico para sua patologia, o que faz com que o paciente não seja levado a sério pelas outras pessoas.

A ansiedade está presente em 70% dos casos e se manifesta por palpitações, respiração suspirosa, tontura, sudorese, tremor, dor torácica, náuseas, calores e até pânico. O paciente deve lançar mão de técnicas de relaxamento que lhe permitam dominar seu corpo e sua mente. Medidas simples são a respiração profunda, tornar o ambiente agradável ou tentar ter uma boa noite de sono.

O rebaixamento da auto-estima decorre do permanente sofrimento físico e da fadiga e repercute no desempenho profissional, comunitário e familiar do indivíduo. É importante que o paciente adote medidas simples como direcionar-se para uma meta e para atividades gratificantes, reconhecer as próprias conquistas e evitar os pensamentos negativos na medida do possível.

A persistência dos sintomas pode desencadear sentimentos de raiva no paciente com fibromialgia. Isso só serve para agravar a tensão muscular. Recomenda-se que o paciente não perca de vista o senso de realidade, que reconheça as questões que independem do seu controle e que valorize os aspectos positivos em sua vida. Acima de tudo o indivíduo deve evitar, ao máximo, culpar os outros pelo que se está passando pois a isenção de responsabilidades dificulta o seu tratamento.

A culpa e a vergonha podem ocasionalmente acometer o paciente com fibromialgia, acima de tudo porque suas manifestações não apresentam respaldo objetivo por meio de exames. Sentimentos que acarretem derrota devem ser substituídos por atitudes positivas e construtivas.

A depressão leva o indivíduo a perder o interesse pela vida e pela própria condição. Todos os sintomas descritos acima podem estar associados ao quadro. A deficiência de serotonina no sistema nervoso, que justifica a redução no limiar de dor na fibromialgia, pode também estar envolvida nas manifestações depressivas. Assim sendo, por vezes faz-se necessário o uso de medicamentos que aumentem os níveis de serotonina, no sentido de se melhorar a condição dolorosa e afetiva do paciente. Medidas não medicamentosas, descritas adiante, servem como coadjuvante ao tratamento.

Tendências perfeccionistas são comumente observadas em pacientes com fibromialgia, os quais antes do início dos sintomas eram muito ativos do ponto de vista profissional ou comunitário. Esse quadro deve ser diferenciado do comportamento obsessivo-compulsivo, o qual não se associa com a fibromialgia. A fadiga impede o paciente de realizar as inúmeras atividades às quais ele se propõe e isso gera um temor de sofrer rejeição ou crítica. O indivíduo nessa condição deve adotar técnicas de relaxamento e não se prender a detalhes ou metas muito complexas.

A procura de soluções

A busca de técnicas que diminuam o estresse, aumentem a capacidade do paciente lidar com a fibromialgia, a auto-estima e a capacidade de interação dos pacientes tem sido objeto de interesse de psiquiatras, psicólogos, sociólogos e até de religiosos. Nesse contexto, além da abordagem médica são propostos programas que incluem aspectos educacionais, exercícios físicos, intervenção comportamental e apoio familiar.

Psicoterapia
A psicoterapia é indicada para indivíduos com fibromialgia que mantêm um bom contacto com a realidade , capazes de estabelecer relacionamentos estáveis e com capacidade introspectiva. O indivíduo, por meio da expressão verbal de seus anseios e angústias e vivências do passado, identifica os mecanismos destrutivos presentes em suas ações e pensamentos. Ao invés de ansiedade, raiva e frustrações, são elaborados mecanismos construtivos de lidar, de forma responsável, com problemas como dor, cansaço e estresse, sem obter deles ganhos secundários.

Terapia Cognitiva
A disfunção cognitiva se manifesta como dificuldade de aprendizado, retenção de informações, memória, organização e processamento de idéias e formulação de pensamentos. Essas manifestações ocorrem de forma intermitente na fibromialgia e podem ser abordadas por meio de terapia cognitiva. O terapeuta estimula o paciente a utilizar seus recursos mentais fazendo listas das atividades que terá de executar, colocando lembretes, desenvolvendo mecanismos de reduzir a distração. Ao invés do mal humor e da angústia, que apenas servem para piorar a fadiga mental do paciente, este aprende a desenvolver rotinas que o auxiliem em seu desempenho.

Biofeedback
Técnicas de relaxamento também são recomendadas para pacientes com fibromialgia, tendo em vista seu exagerado grau de tensão. Por meio do biofeedback o paciente aprende a controlar sua resposta corporal no sentido de minimizar a ansiedade e controlar os sintomas de dor. São utilizados eletrodos para mensurar a temperatura cutânea, freqüência cardíaca, atividade cerebral e condutividade cutânea (equivalente à tensão muscular). Exercícios respiratórios, imagens e sons relaxantes e rituais de relaxamento favorecem a liberação de endorfinas e diminui a tensão muscular. O biofeedback também auxilia na qualidade do sono e capacidade cognitiva.

Acupuntura
A acupuntura estimula a liberação de endorfinas e diminui a sensação de dor na fibromialgia, porém seus resultados são menos proeminentes, quando comparados com os das técnicas anteriormente citadas. Outras abordagens complementares incluem yoga, meditação, Tai chi.

Os quatro artigos sobre fibromialgia foram encontrados em: www.fibromialgia.com.br

Fibromialgia – Abordagem Física

Efeitos benéficos dos exercícios físicos

Todas as pessoas precisam fazer alguma forma de exercício para manter um condicionamento físico compatível com as atividades que exerce. Na fibromialgia os exercícios são particularmente úteis. No entanto nota-se que muitas pessoas com fibromialgia ficam desencorajadas a fazer atividades físicas, poupando os movimentos nos locais dolorosos por temerem um agravamento de seus sintomas. Esse raciocínio é errôneo pois, por meio de exercícios físicos, pode-se promover um relaxamento nos locais de dor, bem como uma melhora dos sintomas e da qualidade de vida. Os exercícios físicos na fibromialgia, além de promover um melhor condicionamento cardiovascular, atuam sobre o sistema musculoesquelético, ou seja, favorecem a mobilidade de grupos musculares que se encontram em contração prolongada, promovem o alongamento de tendões, melhoram o equilíbrio durante a marcha, enfim, fazem a pessoa sentir-se melhor e mais saudável. É importante esclarecer algumas características dos programas de exercício físico para a fibromialgia. Uma delas é a característica aeróbica, ou seja, os movimentos não podem ser extenuantes porque isso prejudica o metabolismo da fibra muscular e favorece o acúmulo de substâncias que levam à dor. Portanto, trabalhos científicos são favoráveis a exercícios leves, progressivos, em pequena quantidade, mas que sejam realizados diariamente, de modo criterioso, regular e obedecendo a uma seqüência programada de forma personalizada. O limite do que pode ser feito é determinado pela própria pessoa e é influenciado pela idade, presença de doenças concomitantes e limitações do sistema locomotor, que se agravam com algum movimento específico. Além disso, de acordo com as pesquisas os exercícios devem ser praticados no período da manhã, mas os cuidados com a postura devem ser tomados durante o dia todo, no sentido de prevenir sobrecargas e esforços repetitivos. Deve-se ressaltar ainda que a pessoa que pratica exercícios físicos torna-se mais disposta: observa-se melhora do humor, das expectativas e uma postura mental mais positiva. Isso sem falar na melhora da auto-estima.

Efeitos maléficos da falta de exercícios físicos

Pessoas ditas sedentárias, ou seja, aquelas que não se exercitam, apresentam algumas das conseqüências observadas em pacientes que passam longos períodos acamados. É descrita uma tendência à perda do condicionamento muscular, à perda de massa óssea e ao ganho de peso com o passar da idade. Por esse motivo a pessoa com fibromialgia que é sedentária cansa-se mais fácil e apresenta mais sintomas de dor e sono não reparador. As conseqüências são a má postura, a queda no seu desempenho, as atividades diárias parecem mais difíceis de serem efetuadas e a pessoa fica desanimada e angustiada ao se ver em tal condição. Deve-se portanto procurar uma saída nesse círculo vicioso de inatividade, dor e angústia. O que estiver ao alcance do paciente com fibromialgia é válido. Deve-se começar por algum ponto, ou seja melhorar a dor, o condicionamento físico ou a postura mental. Como fazer exercícios é uma medida saudável e seus benefícios duradouros, comece hoje mesmo, com pelo menos uma caminhada diária de 15 minutos. O começo é sempre um desafio….

Programa de Exercícios Físicos para Fibromialgia

Objetivos

Estamos propondo alguns exercícios para pacientes com fibromialgia com os seguintes objetivos:

- Melhorar os sintomas de dor
- Evitar contrações dolorosas de grupos musculares
- Melhorar a força muscular
- Favorecer a coordenação motora para as atividades diárias
- Promover uma postura adequada
- Melhorar a disposição
- Auxiliar no controle do peso
- Auxiliar no controle da ansiedade
- Melhorar a auto-estima

Etapas do programa

Aquecimento
Atua melhorando o aporte sangüíneo para os músculos e tendões, adequando a freqüência cardíaca e respiratória. Com isso melhora a resistência física para os exercícios ou mesmo para as atividades diárias que o indivíduo irá desempenhar.

Exercícios de alongamento
São importantes para promover o equilíbrio, coordenação motora e melhorar a condição de dor.

Exercícios de resistência
São importantes para o condicionamento cardiovascular, controle do peso, fortalecimento muscular.

Relaxamento final
Ao final de uma série de exercícios, são feitos alguns alongamentos e exercícios com a respiração que visam “desacelerar” o organismo para retornar à sua rotina.

Perguntas e respostas mais freqüentes em Fibromialgia

O que é fibromialgia?
A fibromialgia é uma síndrome clínica que se manifesta com dor no corpo todo, principalmente na musculatura. Comumente a fibromialgia cursa com sintomas de fadiga, intolerância ao exercício e sono não repousante (isto é, a pessoa acorda cansada). Nós, médicos, chamamos a fibromialgia de uma síndrome, pois ela é caracterizada por um grupo de sintomas sem que seja identificada uma causa única para eles.

O que causa a fibromialgia?
Não existe ainda uma causa única conhecida para a fibromialgia, mas já temos algumas pistas porque as pessoas têm esta síndrome. Os estudos mais recentes mostram que os pacientes com fibromialgia apresentam uma sensibilidade maior à dor do que pessoas sem fibromialgia. Isto não é relacionado com o fato de se ser “forte” ou “fraco” para dor. Na verdade, seria como se o cérebro das pessoas com fibromialgia estivesse com um “termostato” desregulado, que ativasse todo o sistema nervoso para fazer a pessoa sentir mais dor. Desta maneira, nervos, medula e cérebro estariam fazendo que qualquer estímulo doloroso seja aumentado de intensidade. Uma parte do corpo que estamos sempre machucando no nosso dia-a-dia é a musculatura. Em pessoas sem fibromialgia, estes pequenos traumas, distensões e tensões passam despercebidos. Na pessoa com fibromialgia as dores vindas destas lesões são amplificadas, e começa o grande “círculo vicioso” dentro do músculo: a musculatura fica dolorida e contrai (tensiona) e esta tensão leva a mais dor, que tensiona mais o músculo, e assim por diante. A pessoa começa a não dormir bem (vide adiante) e não se exercitar, o que piora a dor muscular, mantendo o ciclo. Sintomas de depressão e ansiedade também podem piorar o quadro.

A fibromialgia pode aparecer depois de eventos graves na vida de uma pessoa, como um trauma físico, psicológico ou mesmo uma infecção grave. O mais comum é que o quadro comece com uma dor localizada crônica, que progride para envolver todo o corpo. O motivo pelo qual algumas pessoas desenvolvem fibromialgia e outras não ainda é desconhecido.

A minha dor é real ou está só na minha cabeça?
A dor da fibromialgia é real. Vários estudos experimentais avançados, que mostram o cérebro funcionando, mostram que os pacientes com fibromialgia estão sentindo dor e, além disso, que sentem mais dor do que pessoas sem fibromialgia. Também foram feitos estudos com o líquido que banha a medula e o cérebro (líquor) e foi visto que as substâncias que levam a sensação de dor para o cérebro estão de três a quatro vezes aumentadas em pacientes com fibromialgia, em comparação com pessoas sem o problema. Tanto pacientes quanto médicos parecem entender melhor as causas de dor quando existe uma inflamação, um machucado, um tumor, que estão ali, visíveis, causando a dor. Na fibromialgia é diferente; se tirarmos um pedaço do músculo que está doendo e olharmos no microscópio, não encontraremos nada – porque o problema está somente na percepção da dor.

Existem muitos casos iguais ao meu?
Sim, existem. A fibromialgia é um problema comum, visto em pelo menos 5% dos pacientes que vão a um consultório de Clínica Médica e em 10 a 15% dos pacientes que vão a um consultório de Reumatologia.

A fibromialgia é uma doença nova?
Não. A fibromialgia já é conhecida há mais de 100 anos, mas se davam nomes diferentes para ela e não havia um consenso de como fazer o diagnóstico da doença. O nome mais comum que se usava era “fibrosite” . Em 1990, foram criados o que chamamos de “critérios de diagnóstico” para a fibromialgia. O termo fibrosite foi abandonado, pois “ite” indica inflamação e não existe inflamação na fibromialgia. A partir de então, o problema pôde ser mais bem estudado, o conhecimento sobre a fibromialgia cresceu, e mais e mais médicos começaram a fazer o diagnóstico de fibromialgia, o que fez aumentar o número de casos.

Como o médico sabe que eu tenho fibromialgia e não outro problema?
O diagnóstico da fibromialgia é clínico, isto é, não se necessitam de exames para comprovar que ela está presente. Se o médico fizer uma boa entrevista clínica, pode fazer o diagnóstico de fibromialgia na primeira consulta e descartar outros problemas. O melhor profissional para avaliar o paciente com fibromialgia é o reumatologista, pois ele é treinado para fazer o diagnóstico das doenças que acometem os músculos e as articulações, não deixando passar doenças que possam ser confundidas com fibromialgia.

O médico irá utilizar os critérios de diagnóstico da fibromialgia, que são: a) dor por mais de três meses em todo o corpo e b) presença de pontos dolorosos na musculatura (11 pontos, de 18 que estão pré-estabelecidos). Provavelmente o médico pedirá alguns exames de sangue, não para comprovar a fibromialgia, mas para afastar outros problemas que possam simular a fibromialgia, como hipotireoidismo, diabetes, entre outros.

A fibromialgia é um tipo de reumatismo?
Esta é uma pergunta interessante, pois não existe um consenso do que seja um “reumatismo”, e cada pessoa tem uma idéia diferente quando pensa neste termo. Se considerarmos reumatismo toda doença estudada pelo reumatologista então sim, a fibromialgia é um tipo de reumatismo. Nós a classificamos dentro do grupo de “reumatismo de partes moles”, isto é, que não afeta as articulações. Vale a pena salientar que a fibromialgia NÃO é uma doença que afeta as articulações, e que NÃO existe o risco de deformidades ou perda de movimentos dos membros.

Por que eu demorei em saber que tenho fibromialgia?
Muitas vezes, o diagnóstico de fibromialgia não está claro na primeira vez que o paciente vai ao médico. Outras vezes, o médico não está familiarizado com o diagnóstico de fibromialgia, e acaba fazendo outro diagnóstico. Felizmente, graças a programas de educação médica continuada, isto vem acontecendo cada vez menos.

A fibromialgia afeta mais mulheres do que homens?
Sim. De cada 10 pacientes com fibromialgia, 9 são mulheres. Não se sabe a razão porque isto acontece. Não parece haver uma relação com hormônios, pois a fibromialgia afeta as mulheres tanto antes quanto depois da menopausa. A idade de aparecimento da fibromialgia é geralmente entre 30 e 60 anos. Porém, existem casos em pessoas mais velhas, crianças e adolescentes.

Por que eu acordo tão cansado, como se não tivesse dormido nada?
A alteração do sono na fibromialgia é freqüente, afetando quase 95% dos pacientes. No início da década de 80 descobriu-se que pacientes com fibromialgia apresentam um defeito típico no sono – uma dificuldade de manter um sono profundo. O sono tende a ser superficial e/ou interrompido. Com o sono profundo interrompido, a qualidade de sono cai muito e a pessoa acorda cansada, mesmo que tenha dormido por um longo tempo. Isto aumenta a fadiga, a contração muscular e a dor.
Por algum tempo, pensou-se que a alteração de sono era o que causava a fibromialgia. Hoje sabemos que este problema é conseqüência da dor, e não sua causa. De qualquer maneira, é algo que deve ser avaliado e tratado. Outros problemas no sono afetam os pacientes com fibromialgia. Alguns referem um desconforto grande nas pernas ao deitar na cama, com necessidade de esticá-las, mexê-las ou sair andando para aliviar este desconforto. Este problema é chamado Síndrome das Pernas Inquietas e possui tratamento específico. Outros apresentam a Síndrome da Apnéia do Sono, e param de respirar durante a noite. Isto também causa uma queda na qualidade do sono.

Como a depressão ou o nervosismo estão relacionados com a fibromialgia?
A depressão está presente em 50% dos pacientes com fibromialgia. Isto quer dizer duas coisas: 1) a depressão é comum nestes pacientes e 2) nem todo paciente com fibromialgia tem depressão. Isto é importante, pois por muito tempo pensou-se que a fibromialgia era uma “depressão mascarada”. Hoje, sabemos que a dor da fibromialgia é real, e não se deve pensar que o paciente está “somatizando”, isto é, manifestando um problema psicológico através da dor.

Por outro lado, não se pode deixar a depressão de lado ao avaliar-se um paciente com FM. A depressão, por si só, piora o sono, aumenta a fadiga, diminui a disposição para o exercício e aumenta a sensibilidade do corpo. Ela deve ser detectada e devidamente tratada, se estiver presente. Muitos pacientes pensam que o tratamento da dor crônica melhorará a depressão, já outros pensam que o tratamento da depressão melhorará a dor. Não se deve perder tempo em questionar quem chegou primeiro; tanto a dor quanto a depressão devem ser tratadas de maneira independente, e o tratamento de ambas trará benefícios para o paciente.

Todas as dores que eu tenho são da fibromialgia?
Não. Ter fibromialgia não livra a pessoa de ter outros problemas do sistema musculoesquelético, como bursite, tendinites, artrites. O médico saberá separar as coisas e tratar cada problema de maneira apropriada. Por outro lado, várias dores que a pessoa pense que são outros problemas podem ser só manifestações da FM. A musculatura é o sistema mais dolorido na fibromialgia, mas já existe evidência que vários outros pontos do corpo apresentam sensibilidade aumentada. Por exemplo, o intestino; o paciente pode ter dores abdominais, diarréias alternadas com períodos de constipação intestinal, caracterizando a Síndrome do Intestino Irritável. Da mesma maneira, a bexiga pode ficar mais sensível, com a pessoa desenvolvendo a necessidade de urinar várias vezes por dia; é a Síndrome da Discinesia do Detrussor, ou bexiga irritável.

Existe cura para a fibromialgia?
Infelizmente, ainda não. Porém, com o tratamento atual da FM é possível a pessoa experimentar ficar sem dor ou com a dor a um nível muito baixo. Os outros sintomas como a fadiga, a alteração do sono e a depressão também podem ser tratadas adequadamente. Mais do que em outros problemas, o tratamento da fibromialgia depende muito do paciente. O médico deve atuar mais como um guia do que somente uma pessoa que fornece remédios. É muito importante que a pessoa com fibromialgia entenda que a atividade física regular terá que ser mantida para o resto da vida, pelo risco de a FM voltar se esta atividade for interrompida.

Como a fibromialgia é tratada?

O tratamento da fibromialgia divide-se em quatro pontos principais:

a) Exercícios: este é o ponto mais importante do tratamento. Costumo dizer que a pessoa com fibromialgia não se pode dar o luxo de não se exercitar. A atividade física regular é o único tratamento capaz de restaurar a pessoa para uma vida normal. Todos os outros passos do tratamento devem ter somente um objetivo: deixar a pessoa mais disposta para fazer atividade física. A atividade física deve ser realizada todos os dias, de duas maneiras: um exercício que mexa todo o corpo (aeróbico), como caminhar, nadar, correr ou praticar hidroginástica e exercícios que promovam o alongamento muscular. Os exercícios devem ser iniciados lentamente, e só depois de algum tempo é que se deve chegar ao tempo total: trinta minutos por dia. Mesmo depois que o paciente chegue a este nível de exercícios, pode haver uma demora de até um ano para que os benefícios comecem a aparecer. Por isso, quanto mais cedo se começar a atividade física, melhor.

b) Tratamento do sono: o objetivo é melhorar a qualidade do sono, não a sua quantidade. O paciente terá que acordar mais descansado do que quando foi dormir. Para isso, utilizamos remédios específicos para cada caso. Os remédios mais utilizados são os antidepressivos tricíclicos, como a amitriptilina. Geralmente são usados não em uma dose para a depressão, mas pequenas doses, próprias para o sono. A vantagem desta medicação é que ela não causa dependência física. Outra medicação usada é a ciclobenzaprina, que é um relaxante muscular. Ela já foi estudada na fibromialgia, e apresenta bons efeitos no sono, na dor e na fadiga. Outras medicações são utilizadas em casos de problemas específicos, como na Síndrome das Pernas Inquietas. Em casos de dúvida um estudo do sono (polissonografia) pode ser pedido.

c) Tratamento da dor: embora não exista um analgésico que tire toda a dor em um paciente com FM, este é um item importante no tratamento, pois o paciente deve ter a sua dor reduzida a um ponto que permita o início da atividade física. Este ponto tem sido mais valorizado desde que se descobriu que a dor dos pacientes é real. O tratamento deve ser iniciado com analgésicos leves, como o paracetamol e a dipirona, e outros analgésicos mais fortes podem ser usados se necessário. É muito comum que os pacientes esperem até o último minuto para tomarem analgésicos, quando a dor está “insuportável”. Isto leva à piora da dor, pois a dor mal controlada leva à contração muscular, que leva a mais dor. A fibromialgia é um estado de dor crônica, e a dor deve ser tratada cronicamente, isto é, tomando-se analgésicos em horários pré-determinados. Em alguns pacientes, são encontrados na musculatura pontos de intensa contração muscular, semelhantes a pequenos caroços: são os “pontos-gatilho”. Estes pontos são focos de dor, e pioram o quadro geral, Quando exercícios de alongamento não os resolvem, o médico pode lançar mão de técnicas de injeção de anestésico local nestes pontos, que geralmente são bastante efetivas.

d) Controle da ansiedade/depressão: como foi dito anteriormente, não se deve perder tempo pensando se as manifestações de alterações do humor, desânimo e tristeza são a causa ou a conseqüência da FM. Se estes sintomas estão presentes, devem ser tratados adequadamente. Na maioria das vezes, o reumatologista pode prescrever ansiolíticos ou antidepressivos para o paciente com FM; se o caso for grave, o paciente pode ser encaminhado para um psiquiatra. Existem técnicas psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental, que têm sido estudadas na fibromialgia, com bons resultados. São técnicas de manejo de estresse e de como lidar com as limitações que a fibromialgia traz à vida das pessoas. Estas técnicas podem ser usadas em pacientes com ou sem depressão.

Todos os médicos falam que eu devo fazer exercícios para melhorar da fibromialgia, mas eu não consigo, pois o pouco que eu faço já me causa muita dor no corpo.
Isto é uma situação muito comum, principalmente no início da atividade física. É importante que o exercício seja iniciado de maneira lenta e gradualmente aumentado. Por exemplo, se a pessoa não está acostumada a fazer caminhadas, deve começar com 5 minutos por dia, e ir aumentando o tempo em 5 minutos toda a semana, até chegar a 30 minutos por dia. Não se deve ter pressa. Da mesma maneira, pessoas que faziam exercício e desenvolveram fibromialgia devem se acostumar com a idéia de que irá demorar um bom tempo até o retorno da capacidade física que tinham antes de desenvolver FM.

A dor ao realizar-se atividade física pode também ser minimizada com o uso de analgésicos antes de se iniciar o exercício. Não se deve ter medo que o analgésico irá mascarar alguma lesão ou piorar a situação. Pelo contrário, o uso de analgésicos irá permitir um melhor aproveitamento do momento de exercício.

Por que mesmo sem ter feito esforço, e estando fazendo o tratamento, meu corpo volta a doer?
Muitas vezes, apesar de tudo parecer bem, o corpo volta a doer – chamamos isto de “crise” da fibromialgia. Não se sabe o motivo porque isto acontece. Porém, algumas vezes a pessoa pode ter feito um esforço desnecessário sem perceber. Pacientes com FM, no dia em que se sentem melhor, muitas vezes querem “recuperar o tempo perdido” e passam a fazer tudo o que não fizeram na última semana, por exemplo. Isto leva a uma volta da dor. Da mesma maneira, atividades de repetição, como lavar e passar roupa, podem desencadear uma crise. Para evitar as crises é preciso dividir as tarefas de casa e do trabalho e fazer um pouco a cada dia, mesmo nos dias em que tudo está bem. Também é importante mudar o tipo de tarefa que se está fazendo, para sempre modificar o grupo de músculos que está sendo usado. Por exemplo, passar parte da roupa e depois ir dobrá-la, varrer somente um cômodo e arrumar as gavetas antes de passar para outro cômodo, etc… As crises da fibromialgia podem melhorar bastante com medidas simples, como repouso e um banho quente. O médico deve ser consultado para checar a necessidade de aumento ou mudança da medicação.

Por que eu tomo analgésicos e eles não funcionam?
Infelizmente, o alívio com os analgésicos comuns não é total na fibromialgia. Isto acontece pois ainda não dispomos de medicações que ajam na sensibilidade aumentada do corpo em relação à dor. Os analgésicos agem bem em dores com causa conhecida, mas menos nas situações em que o próprio corpo amplifica a dor. Isto não significa que os analgésicos não estejam funcionando; muitas vezes, quando se retira o analgésico é que se nota o quanto ele estava sendo útil.

Existem outros tratamentos que podem ajudar?
Vários tipos de tratamento já foram testados para a fibromialgia, e muitos deles não ajudaram. Porém, com o melhor entendimento do problema, novas medicações são esperadas em breve.

A acupuntura é um método que pode ajudar em casos de dor localizada e resistente, e é recomendada com certa freqüência. Porém, deve se ter em mente que a acupuntura funciona somente enquanto o paciente está sob tratamento, e não tem um efeito duradouro.

Recentemente, injeções endovenosas de lidocaína foram usadas em casos refratários, com resultados iniciais encorajadores.

Eduardo S. Paiva
Reumatologista
Chefe do Ambulatório de Fibromialgia do HC-UFPR, Curitiba

Fonte: www.fibromialgia.com.br

Fibromialgia tortura com dores pelo corpo

Reconhecida há apenas 10 anos, doença atinge mais mulheres acima dos 40 e ainda não tem cura, mas já pode ser tratada.

* Os nomes foram trocados para preservar a privacidade dos entrevistados (N. E.)

A dona-de-casa Maria*, 55, e a faxineira aposentada Antônia*, 51, passaram dez anos sentindo dores pelo corpo todo, sofrendo de cansaço crônico e sem conseguir dormir direito. A dor lancinante, que raramente dava trégua, impedia que realizassem tarefas cotidianas banais como lavar pratos ou dirigir.

Embora vivam em mundos completamente distintos Maria sempre consulta médicos particulares, enquanto Antônia recorre ao sistema público de saúde, as duas passaram por vários especialistas e tomaram doses cavalares de analgésicos até descobrirem que eram portadoras de fibromialgia, síndrome que atinge 5% da população mundial, mas que ainda é pouco familiar até mesmo para os médicos. Reconhecida como doença apenas em 1990, a fibromialgia ataca principalmente mulheres acima de 40 anos (há apenas 1 homem para cada 9 portadoras da síndrome nessa faixa etária). “Os principais sintomas são dores generalizadas pelo corpo, fadiga crônica, sono não-restaurador, formigamento nas mãos e nos pés, enxaqueca e problemas intestinais. Uma vez que ainda não existe exame laboratorial que comprove a doença, o diagnóstico tem de ser feito a partir dos sintomas relatados pelo paciente e de um exame clínico que mede a sensibilidade à dor em 18 pontos espalhados pelo corpo. Para um paciente ser diagnosticado como fibromiálgico, ele precisa se queixar de dor difusa há mais de três meses, ter distúrbios no sono e apresentar sensibilidade em pelo menos 11 dos 18 pontos do exame clínico”, explica Jamil Natour, reumatologista da Unifesp. Como os sintomas da fibromialgia são parecidos com os de outras patologias (de tendinite e gota a lúpus, hipotireodismo e até esclerose múltipla) e como nem todos os médicos conhecem a síndrome, os pacientes podem sofrer anos até obter o diagnóstico, como aconteceu com Maria e Antônia. “Passei dez anos achando que sofria da coluna”. “Foi um alívio ouvir do meu médico que meu problema era fibromialgia”, diz a segunda. Os pacientes também são vítimas de preconceito, já que a inexistência de exame físico que comprove a doença faz com que muita gente desconfie da veracidade das queixas. “Uma amiga chegou a me dizer que tanto tempo de cama era coisa de artista”, reclama Maria. Em alguns casos, ate mesmo os médicos suspeitam das queixas e classificam os fibromiálgicos como portadores de distúrbios psiquiátricos, aumentando o estigma e o sofrimento. Foi o que aconteceu com o historiador Carlos Henrique, 53, de Tatuí (153 km de SP). “Disseram que eu tinha problemas mentais. Tive de fazer anos de análise para superar isso”, conta.

Sintomas mais comuns

  1. Dor generalizada pelo corpo por, pelo menos, três meses.
  2. Sono inquieto, superficial e não-restaurador (o paciente já acorda cansado).
  3. Cansaço, perda de energia e diminuição da resistência a exercícios físicos.
  4. Cólon irritado (diarréia alternada com prisões de ventre) e outras disfunções intestinais.
  5. Formigamento e dormência nos braços, pernas, rosto e, sobretudo, nas mãos e nos pés.
  6. Depressão de ansiedade crônicas.
  7. Cefaléia
  8. Sensação de inchaço nas articulações.
  9. Rigidez muscular.
  10. Desconforto diante de mudanças

Tipos de Tratamento

  1. Uso de antidepressivos tricíclicos para aumentar a vida útil da serotonina. A dosagem é menor do que para pacientes com depressão e tem efeito analgésico e de relaxante muscular.
  2. Uso de analgésico leve para interromper o ciclo da dor. Indicado em casos de crises agudas, tem efeito temporário.
  3. Exercícios físicos de baixo impacto (sobretudo caminhadas ou natação) para aumentar a produção da endorfina e melhorar a oxigenação muscular.
  4. Alongamento para aliviar a sensação de dor provocada pela contração muscular excessiva, comum em pacientes com fibromialgia.
  5. Acupuntura para melhorar a qualidade do sono, estimular a produção de serotonina e endorfina e combater a depressão e a ansiedade.
  6. Redução das situações de estresse procurando fazer pequenas pausas de descanso ao longo do dia para evitar a fadiga.
  7. Técnicas de relaxamento: ioga, meditação, massagem, meditação, massagem e hidroterapia (a água também ameniza a dor).

Fatores de Risco

  1. Falta de condicionamento físico: o sedentarismo é apontado como o principal fator de risco. “Pouquíssimos atletas desenvolvem fibromialgia”, diz Jamil Natour, reumatologista da Unifesp.
  2. Mudanças hormonais como incidência de fibromialgia são maiores em mulheres que estão entrando na menopausa: os pesquisadores suspeitam as mudanças hormonais estejam entre os fatores que desencadeiam a doença.
  3. Estresse e traumas emocionais: um acidente de carro pode estimular o aparecimento da doença.
  4. Doenças infecciosas: há vários relatos de pacientes que desenvolveram fibromialgia depois de serem acometidos por doenças infecciosas.
  5. Hereditariedade: filhos de fibromialgicos têm mais chances de desenvolver a doença, mas os pesquisadores não sabem se o fator de risco é o estilo de vida da família ou a genética.

A psicóloga Andréa Goldfarb acompanhou durante cinco anos um grupo de 12 mulheres portadoras de fibromialgia para fazer sua tese de doutorado e testemunhou a discriminação. “Uma das minhas pacientes chegou a contar que um médico disse que ela precisava era arranjar um marido. Como colegas e familiares olham e não vêem nada de errado, o paciente fica desacreditado”. Para vencer o preconceito e a falta de informação, os 20 portadores de fibromialgia de Tatuí encontram-se a cada 15 dias para trocar experiências sobre tratamentos que dão certo. “No começo, isso aqui parecia um concurso de dor. Hoje, nossa associação é como um clube. Sempre tem um bolinho quando tem aniversário de alguém”, brinca a bancária aposentada Tereza, integrante do grupo desde que foi formado, há seis meses.

Sem cura

Embora ainda não tenha sido descoberta cura para a fibromialgia, há casos em que os sintomas retrocedem quase totalmente. A prática de alongamento e de exercícios físicos de baixa intensidade, aliada ao uso de analgésicos e de antidepressivos tricíclicos, tem sido a forma de tratamento mais bem-sucedida. Acupuntura, hidroterapia e outras técnicas que combatem a ansiedade e depressão também são usadas, sobretudo em pacientes que não respondem bem ao tratamento convencional.

O motorista Jader, 35, tomava antidepressivos e fazia exercícios. Na semana passada, começou a fazer hidroterapia e vai ser submetido a sessão de acupuntura. “Quando tinha crises não conseguia nem segurar um copo”, conta.

“Como ainda não sabemos com precisão o que causa a fibromialgia, fica difícil pesquisar como curá-la”, explica Natour. O que os cientistas sabem de concreto é que os fibromiálgicos têm menos serotonina (neuro-transmissor que regula a sensação de dor) do que as pessoas normais e que apresentam um distúrbio que encurta a fase de sono profundo e impede que o corpo descanse, provocando fadiga e hipersensibilidade. “Falta descobrir por que isso ocorre”, diz o acupunturista Hong Jin Pai, do Centro da Dor do Hospital das Clínicas.

Pesquisadores da Universidade do Texas (EUA) descobriram no ano passado que os portadores de fibromialgia têem de duas a três vezes menos substância P (também envolvida no controle da dor) do que o normal. A descoberta vai ajudar a diagnosticar com mais precisão a doença. “Eles desenvolveram um kit que permite testar o nível de substância P para saber se a pessoa tem fibromialgia. Mas o exame ainda não chegou ao Brasil”, diz a fisiatria Helena Kaziyama, do HC. Já foi comprovado que mulheres na fase da menopausa, pessoas submetidas a estresse físico ou emocional e sedentários estão mais sujeitos a desenvolver a doença. Vícios de postura e até acidentes de carro também foram relacionados à doença. O historiador Edson acredita que o trabalho como bibliotecário por vários anos é um dos culpados por sua situação. “Ficava encurvado em uma cadeira durante horas”, lembra Edson que, como boa parte dos fibromiálgicos, virou um expert na doença para compensar a falta de informação que ainda atinge até os médicos.

Estresse no trabalho

Embora saiba que cientificamente não há como afirmar o que causa a fibromialgia, o policial civil J.Z., 39, tem certeza de que, no seu caso, o estresse no trabalho detonou a doença. “Tinha cobrança demais, meu chefe era muito autoritário”, conta J., que está de licença médica e prefere não ser identificado porque teme represália do patrão. “Ele nunca entendeu o que eu sentia. Quando reclamava de dor, ele exigia que eu trabalhasse mais”. J. começou a sentir dores no pulso há três anos. O clínico-geral que o atendeu suspeitou de gota. Como os exames de ácido úrico não indicaram nenhuma alteração, a dor passou a ser atribuída à tendinite. “Me mandaram fazer ultra-som, mas também não deu nada. Á essa altura, a dor havia se espalhado pelos braços, cotovelos, ombros e pela região cervical”. Ele também não dormia bem, tinha problemas intestinais e na bexiga. Morador do interior de São Paulo, próximo da fronteira com Minas, J. peregrinou por toda a região atrás de um diagnóstico conclusivo. “Fui a urologista, nefrologista, clínicos-gerais, e ortopedistas, mas nenhum descobriu o que eu tinha. Fiz exames de próstata, pedra nos rins e cólon irritável. Como todos deram negativo, os médicos me mandaram procurar um psiquiatra”. Quando um ortopedista de Poços de Caldas (MG) finalmente diagnosticou a fibromialgia, há um ano, J. estava com depressão crônica, tomava antiinflamatórios, antidepressivos e relaxante muscular. “Agora faço RPG, caminho e continuo tomando o antidepressivo. Já durmo melhor e me sinto menos cansado. Mas a dor ainda incomoda”.

Vítimas de preconceito

Como os exames feitos em diversos laboratórios não indicavam nada de errado, mas as dores pelo corpo persistiam, parentes e amigos da dona-de-casa M. B, 55, passaram a duvidar de suas queixas. “Uma amiga chegou a me dizer que tanto tempo de cama era coisa de artista. Os médicos aconselhavam descanso, mas eu dormia e acordava com mais dor”, lembra. Durante dez anos, M. se intoxicou de remédios e gastou muito dinheiro com especialistas até a fibromialgia ser diagnosticada, há três anos. Adepta desde então da acupuntura, a dona-de-casa diz que não sente mais tanta dor. “Eu estou mais tranqüila, e o formigamento dos pés e das mãos também diminuiu”.

Para M., a dor provocada pela fibromialgia é mais intensa do que dor de dente. “É horrível sentir dor por muito tempo. Um ou dois, tudo bem. Mas não existe a possibilidade de alguém suportar o corpo doendo durante a vida toda”.

Depois de passar dez anos achando que sofria da coluna, a aposentada D. S., 51, sentiu alívio ao ouvir do médico que tinha fibromialgia. “Quando a dor atacava, não saía da cama. Tive problemas no emprego por causa do excesso de licenças médicas. Mas, mesmo sem trabalhar, sentia dores. Chegou uma hora em que os patrões não acreditavam porque nenhum médico conseguia decifrar o problema”, lembra. “Nessa época, tive de contar com a ajuda dos meus seis filhos para os serviços de casa”.

Contrariando o conselho médico, D. admite que, quando as dores atacavam, ficava quieta, sem se mexer. Hoje, segue à risca as indicações da fisiatra Helena Kaziyama, do HC. “Faço alongamento, relaxamento, acupuntura e hidroterapia. Sou outra mulher. Além da diminuição da intensidade da dor, já consigo dormir tranqüilamente”. Sem saber ao certo as causas da doença, D. teme que seja hereditária. “Minha filha mais velha, de 29 anos, já começou a reclamar. Estou achando que ela poderá ter o mesmo problema. É mais sofrimento a caminho”, desabafa.

Clube da Luluzinha

O historiador E. A., 53, é o único homem presente nas reuniões da associação que reúne portadores de fibromialgia e LER de Tatuí (interior de SP). Não bastassem a dor, o cansaço e as crises de ansiedade, E. teve de enfrentar a desinformação sobre a doença. “As pessoas acham que estamos enrolando e não queremos trabalhar”, diz o historiador, que teve que brigar com os planos de saúde. “Eles não pagaram pelos meus tratamentos, alegando que eram alternativos e que só a fisioterapia resolveria. Já gastei R$7 mil com massagens e acupuntura.

Caminhando contra a dor

No início, a dor forte se limitava aos quadris. Depois, o incômodo atingiu também os braços. Com o passar do tempo, a faxineira F. M., 53, não sabia mais o que era dormir bem. Antes do diagnóstico de fibromialgia, em 98, Bina, como é chamada, achava que as dores eram conseqüência da menopausa ou do excesso de trabalho. “Como não podia ficar em casa, me conformei”. Hoje, Bina ainda sente dores, mas diz que diminuíram graças aos antidepressivos e, sobretudo, às caminhadas diárias. “Faço tudo a pé, evito tomar condução”.

Fibromialgia é confundida com LER

No começo de 99, o reumatologista Jamil Natour, da Unifesp, pôde observar na prática como a fibromialgia é ainda desconhecida. A pedido de uma metalúrgica de Guarulhos (SP), o médico e sua equipe investigaram se os funcionários diagnosticados com LER (Lesão por Esforço Repetitivo) tinham de fato lesões ou inflamações nos músculos e tendões. Entre os 40 metalúrgicos com LER pesquisados 60% tinham, na verdade, fibromialgia. “Isso mostra como os médicos do trabalho ainda não conhecem a doença. Como esses metalúrgicos, muitos trabalhadores que têm fibromialgia recebem o diagnóstico errado e continuam sofrendo porque não são tratados adequadamente”, diz Natour. Enquanto os exercícios repetitivos, a má postura e o uso da força são as principais causas da LER, ainda não se sabe a origem da fibromialgia. A única semelhança entre as duas doenças é a dor. “Mas, na LER, a dor é localizada e, na fibromialgia, difusa”, diz a reumatologista Rita Beltrami. Tendinite (inflamação nos tendões), tenossinovite (inflamação de bainha de tendão) e a lombalgia (dores nas costas) são as lesões mais comuns em casos de LER.

Doença pôs fim à preguiça

A empresária M. B., 54, odiava fazer exercícios até saber que tinha fibromialgia. Hoje, caminha diariamente e faz hidroginástica para combater a dor. A doença foi diagnosticada em 97, mas M. sofria desde 87. Como a maioria dos portadores de fibromialgia, ela teve de aprender a conviver com a dor. “Passei dez anos tomando muito antiinflamatório, pulando de um especialista para outro. As dores nas juntas acabavam com meu humor e eu descontava tudo na família. Hoje o relacionamento com parentes e amigos melhorou muito”, conta.

Fonte: Folha de S. Paulo – Equílibrio – 18/01/2001 – pág. 10 e 11

Alimentos Funcionais: A reedição de um antigo conceito

Terminologia e Conceitos

Nos últimos anos, além de evidências epidemiológicas vêm se associando pesquisas bioquímicas e clinicas que mostram a presença em alimentos, de componentes químicos que podem ter ação biológica, importante na manutenção da saúde da ação, além dos nutrientes conhecidos e com as necessidades diárias já estabelecidas.

Assim, está muito em voga atualmente, o conceito de alimento funcional, que pode ser descrito como alimento capaz de produzir demonstrados efeitos metabólicos ou fisiológicos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo auxiliar na redução do risco de doenças crônico-degenerativas, além das suas funções nutricionais básicas.

No Japão, fala-se, ainda, em função terciária dos alimentos: a primária seria a função organoléptica; a secundária, nutricional; e a terciária, aquela associada à manutenção de uma saúde ótima e à prevenção de doenças futuras.

Complementando a definição pode-se falar em ingrediente funcional, que seria o composto responsável pela ação biológica contida no alimento. Estes ingredientes ativos são chamados também de fitoquímicos, compostos bioativos e ainda nutracêuticos.

Estes conceitos alem das obvias repercussões sobre a saúde dos indivíduos e populações esta fazendo também com que ser revise uma serie de conceitos referentes ao estabelecimento das necessidades e recomendações nutricionais. Passamos da idéia de nutrientes para prevenir ou combater deficiências nutricionais para nutrientes (e outros compostos bioativos) para promoção da saúde.

Alimentos funcionais através dos tempos

Este conceito aparentemente tão moderno e revolucionário que é a idéia de modulação de função metabólica, com reflexo na saúde pela alimentação, não é, na verdade, novo. Novo é o interesse de buscar e explorar mais amplamente esse potencial e o tratamento científico e legislativo dado hoje à questão.

No entanto, este conceito já existe há pelo menos alguns milhares de anos. As antigas culturas chinesa, indiana, egípcia e grega em particular, trabalhavam muito com o conceito de comida-remédio ou de alimentos terapêuticos, atribuindo propriedades preventivas e/ou curativas a quase todos os alimentos, bem como reconhecendo as condições adequadas de preparo e consumo dos mesmos.

Os chineses e indianos tinham diversas classificações sobre os alimentos que os ajudavam a definir que alimentos utilizar ou evitar em determinadas situações(para saber mais veja o texto sobre dietoterapia chinesa). Também os gregos, inclusive Hipocrates e galeno, utilizavam amplamente alimentos na sua prescrição diária para diversos males.

Compostos bioativos encontrados em alimentos

Hoje uma serie de substancias estão sendo classificadas como ingredientes funcionais. Algumas delas são nutrientes já reconhecidos como tal, outras parecem não ter função nutriente, mas são extremamente importantes para a saúde humana e estão sendo pesquisados intensamente em todo o mundo:

Carotenóides: pigmentos responsáveis pelas cores alaranjadas dos vegetais, compreendem um grande número de compostos muitos dos quais com atividade biológica. Alguns, como o b-caroteno, são pró-vitaminas A (transformam-se em vitamina A no organismo). Outros não são precursores de vitamina A, mas agem no organismo como antioxidantes, na eliminação de radicais livres, e pesquisas recentes vêm sugerindo sua possível participação na prevenção ou controle do câncer de próstata. Outros, ainda, como a luteína e zeaxantina, carotenóides encontrados no espinafre, no brócolis e no milho, concentram-se no olho, e parecem ter papel de prevenção da degeneração visual que ocorre com o envelhecimento. Outro carotenóide que esta sendo muito estudado é o licopeno, que dá cor vermelha aos alimentos como melancia e tomate. Ele pode ser usado com antioxidante, prevenindo câncer e reduzindo a incidência de tumores mamários, digestivos e câncer de próstata. Também protege o sistema cardiovascular.

Flavonóides: substâncias presentes em frutas e vegetais, responsáveis pelas cores vermelhas, roxas e amarelas e são, como os carotenóides, também ativos, em graus variáveis, contra radicais livres, os quais, por sua vez, podem estar associados a doenças cardiovasculares, câncer, envelhecimento e outras.Alguns flavonóides têm ações específicas que vão além da ação antioxidante. É o caso das isoflavonas da soja, principalmente a genisteína e a daidzeína. Essas substâncias têm uma ação estrogênica fraca, ligando-se a alguns receptores celulares desses hormônios, ocupando-os e competindo com o 17-b-estradiol. Assim mantém-se as funções hormonais favoráveis no coração e ossos, mas reduz-se a ação hormonal na mama e no útero, que podem levar ao câncer. Tem também papel antioxidante.

Compostos sulfurados (ricos em enxofre):conhecidos como glicosionolatos, têm, também, propriedades metabólicas interessantes. Estão presentes nas plantas do gênero brassica (couve, repolho e brócolis), existem No fígado, eles participam do sistema de enzimas que facilitam a eliminação ou inativação de substâncias tóxicas e/ou carcinogênicas.

Oligossacarídeos: os fruto-oligossacarídeos (FOS) são os mais conhecidos e estudados, também identificados como pré-bióticos. São substâncias que não são digeridas no intestino por ausência de enzimas específicas, mas, nas porções finais do intestino, são metabolizadas pelas bactérias, com produção de ácidos orgânicos de cadeia curta (acético, propiônico, butírico), os quais têm diversas funções benéficas, locais e sistêmicas. Dessa fermentação resulta uma condição físico-química benéfica ao intestino que facilita o desenvolvimento de bactérias úteis como lactobacillus e bifidobactérias. Os ácidos orgânicos produzidos, por sua vez, podem agir nas células do intestino alterando fazendo com que vivam mais, e no fígado, na síntese do colesterol. Acumulam-se também evidências de efeitos positivos no desenvolvimento e controle da imunidade a nível intestinal.

Probióticos: que são microorganismos vivos, como bifidobactérias ou lactobacilos. Em alguns produtos têm sido associados os probióticos com os pré-bióticos (como fruto-oligossacarídeos), constituindo-se os simbióticos. A idéia é de ter-se uma ação sinérgica, fornecendo ao mesmo tempo no intestino bactérias desejáveis com o substrato para o seu fácil desenvolvimento e ação. De qualquer forma, a idéia é de que essas bactérias benéficas se oponham a outras menos desejáveis, causadoras de doenças, sendo essencial, para isto, que cheguem viáveis ao intestino, onde devem se multiplicar. Produtos com bactérias mortas como iogurtes pasteurizados) não têm o mesmo efeito.

Aminoácidos: nutrientes constituintes das proteínas, alguns aminoácidos tem sido reconhecidos como ingredientes funcionais. O triptofano e a tirosina formam a serotonina e as catecolaminas, respectivamente, relacionadas com a depressão e a ansiedade.

Ácidos graxos: em especial da serie Omega 3 tem sido amplamente estudados pois além de fornecerem energia, formam as membranas celulares e conduzem os impulsos nervosos, modulando a atividade cerebral.

Assim, alguns alimentos tem sido amplamente recomendados pelo seu alto conteúdo de ingredientes funcionais, principalmente a soja, a abóbora, a linhaça, o alho, a cebola, o brócolis, entre outros.

Uso dos alimentos funcionais X ingredientes funcionais isolados

Uma grande questão que se coloca frente a estas descobertas é a questão da escolha entre os alimentos que possuem ingredientes funcionais ou o consumo de ingredientes funcionais isolados a partir destes alimentos. Esta polêmica surgiu em grande parte a partir da grande quantidade de produtos isolados de isoflavonas da soja diante do reconhecimento de seus efeitos terapêuticos, em especial na questão da reposição hormonal.

Algumas questões devem ser esclarecidas sobre este assunto. Em primeiro lugar, deve-se pensar que a ação de um alimento se dá através da interação entre seus componentes, nutrientes e fitoquímicos. Alguns destes componentes, inclusive podem permanecer ainda desconhecidos, e por isso, não serem levados em consideração na elaboração de complementos alimentares. Desta forma, quando se isola um dos componentes do grande complexo de substância que é um alimento se corre o risco de ter uma ação diferente da que ele tinha dentro da estrutura do alimento, o que gera risco de efeitos colaterais indesejáveis. Já que tocamos na questão da soja, já se fala hoje em efeitos colaterais das isoflavonas isoladas, semelhantes, embora mais fracos que os da reposição hormonal química. Estes efeitos colaterais não são encontrados com o consumo da soja com alimento.

Outra questão importante é observar a forma que o alimento deve ser consumido para ter os efeitos terapêuticos bem aproveitados. Toda a pesquisa a partir da soja começou a partir da constatação que as mulheres orientais não sofriam tanto quanto as ocidentais no período da menopausa. Após diversas investigações se descobriu que o fator preponderante para isto era o grande consumo de soja por estas mulheres. Daí começou um grande boom de recomendação de produtos de soja tais como leites e sucos a base de soja, soja em grão e proteína texturizada de soja. Produtos que podem ter efeitos ate opostos aos desejados pelas pessoas que os procuram, como, por exemplo, aumentar a tendência a osteoporose pelo excesso de acidez. O que não se observou foi a forma como a soja é consumida por estas populações e porque.

A soja é um alimento extremamente nutritivo, mas de difícil digestão e repleto de fatores antinutricionais. Por isso, para aproveitar os seus benefícios sem estes problemas os orientais desenvolveram uma serie de produtos de soja, aonde as suas qualidades terapêuticas são realçadas e as suas características inadequadas neutralizadas ou minimizadas. Estes produtos em geral são feitos a partir da coagulação do leite (tofu-queijo de soja) ou a partir da fermentação dos grãos de soja associados com outros ingredientes (misso, shoyu, nato, tempeh). São estes os produtos de soja consumidos no oriente que fazem com que as mulheres de lá tenham uma menopausa mais tranqüila. Uma outra questão é a questão do tempo de utilização. As mulheres orientais têm menos problemas na menopausa por que consomem estes produtos de soja (entre outros fatores) desde a mais tenra infância, e não apenas depois que já começam a surgir os sintomas de distúrbios relacionados com a falta de hormônios.

Para finalizar, é importante, gostaria de reforçar a questão da qualidade do alimento que contem ingredientes funcionais: vale a pena estimular o consumo de alimentos à base de soja, por conterem isoflavonas, que estão cheios de aditivos e corantes? Vale a pena estimular o consumo de tomate, por causa do licopeno, sabendo que o tomate é uma das culturas mais carregadas de agrotóxicos?

Todas estas questões não são para diminuir a importância das descobertas e pesquisas sobre alimentos funcionais, mas sim para que coloquemos a utilização destes dentro de um contexto de uma alimentação mais saudável como um todo e de uma vida com mais qualidade. Os alimentos funcionais são o resgate moderno da antiga frase de Hipocrates, faça do teu alimento teu remédio. Mas para ser remédio de verdade uma serie de questões devem ser levadas em conta e não apenas a presença ou não de ingredientes funcionais.

Nos vivemos hoje numa cultura muito imediatista e consumista que quer resultados ultra-rápidos e consumir aquilo que está na moda (seja roupa, alimento ou remédio). Precisamos questionar esta cultura e perceber que a saúde se constrói através de um conjunto de ações que elevem a qualidade de vida e não apenas através do consumo intensivo (e às vezes exagerado) de algum alimento em especial.

Fonte: Nutrans – Instituto Transdisciplinar de Nutrição

No Limite da Ansiedade

Diante de situações estressantes, é normal manifestarmos certo grau de ansiedade. Porém, quando ela se prolonga no tempo e buscamos alívio em recursos destrutivos, é hora de buscar ajuda médica.

Por Sérgio Mortari

Uma das queixas mais freqüentes do homem moderno refere-se ao problema da ansiedade: “Como muito porque sou ansioso”, dizem alguns. “Comecei a usar drogas porque me sentia muito aflito”, justificam-se outros. A ansiedade é, em geral, caracterizada por sentimentos de angústia, aflição, grande inquietação físico-psíquica e irritabilidade, que podem ou não estar acompanhados de uma sensação de nó na garganta ou dor precordial, que, assim como as dores físicas, leva a alterações no comportamento e influencia o aprendizado e a adaptação. Tais sintomas, muitas vezes, podem fazer com que o paciente acredite que está com algum problema cardíaco.

O importante é saber que todos nós possuímos um componente de ansiedade considerado normal, por se referir a uma resposta natural diante de situações estressantes e desconfortáveis. É mais que compreensível, por exemplo, que uma pessoa demonstre certa ansiedade porque um familiar vai submeter-se a uma cirurgia ou porque aguarda a publicação do resultado de um concurso. O mesmo acontece diante de uma entrevista de emprego, quando se vai falar em público pela primeira vez, etc.

O problema surge quando o estado ansioso se prolonga no tempo e a pessoa, em vez de procurar ajuda especializada, lança mão de mecanismos negativos para aliviar o seu estado. Uma das causas do alcoolismo é justamente a ingestão inicial para aliviar a ansiedade, para se conseguir um estado de relaxamento ou se desinibir. O tabagismo, o uso de drogas e a obesidade são outros problemas que encobrem uma boa dose de ansiedade.

No caso da obesidade, a ingestão de alimentos é uma forma de compensação, pois o que se come, geralmente, são chocolates, doces, sorvetes – tudo o que traz prazer ao paladar. Só que esses momentos de prazer acabam se materializando nas medidas do corpo, que se vê aumentado. O pior, porém, é quando a pessoa começa a se sentir culpada e opta por aderir a dietas da moda ou automedicar-se.Por fim, acaba percebendo que, além de o problema não ter sido resolvido, outros surgiram.

Segundo os especialistas, a ansiedade possui três componentes, que devem ser bem pesquisados pelo médico: psicológico, somático e bioquímico. Para a determinação dos fatores psicológicos, é necessário que o médico ou psicólogo faça um histórico do paciente, anotando todos os acontecimentos relevantes da sua vida, desde a fase pré-natal. Pela teoria psicanalítica, a ansiedade pode ser solucionada a partir da identificação do conflito. Decodificando o conteúdo simbólico dos sintomas, a tendência é que eles desapareçam.

No plano somático, os sintomas podem materializar-se em distúrbios do sistema músculo-esquelético, como a rigidez muscular, contrações involuntárias, agitação motora, dores de cabeça, fraqueza, inquietação e dores lombares. Podem surgir também sinais de males cardiovasculares, como palpitação, taquicardia, ondas de calor/frio e palidez; manifestações no trato gastrointestinal, como boca seca, diarréia, náuseas e vômitos; e, no plano respiratório, respiração curta, opressão no peito e distúrbios nervosos, como tonturas e sensação de que se vai desmaiar. As condições médicas associadas à ansiedade podem incluir também problemas endócrinos, metabólicos e neurológicos.

O contato com multidões pode levar algumas pessoas ao descontrole.

O componente bioquímico da ansiedade é atestado pelos bons resultados de medicamentos específicos para o seu tratamento e também porque se pode constatar que os mecanismos cerebrais de quem sofre desse mal são afetados por alterações na liberação de serotonina e dopamina.

Por sua duração no tempo – mais de seis meses – e pelos sintomas apresentados, pode-se classificar a ansiedade como fator componente de vá-rios distúrbios, assim classificados:

Transtornos fóbico-ansiosos: ocorrem por causa de situações ou objetos bem definidos.

Agorafobia: o medo exagerado de lugares abertos, contato com multidões ou com situações em que haja dificuldade de fuga.

Fobias sociais: medo de expor-se ao contato com o público, que geralmente está associado a uma baixa auto-estima.

Transtornos de pânico: ataques graves de ansiedade, que, muitas vezes, provocam palpitações, dor no peito, tontura, despersonalização, medo de perder o controle, sensação de imobilidade.

Transtorno de ansiedade generalizada: leva a distúrbios do sono, sensação de nervosismo, palpitação, prejuízo do desempenho das atividades diárias, diminuição da memória e da concentração, porque a pessoa não consegue relaxar e está em permanente estado de alerta.

No tratamento da ansiedade, é preciso que haja uma combinação de psicoterapia, medicamentos, que podem ser homeopáticos, porque não levam à dependência, e acupuntura.

Além de utilizar técnicas de relaxamento que vão gradualmente ensinando o paciente a controlar suas respostas ansiosas, a psicoterapia vai fazer com que a pessoa entenda sua maneira de pensar, descubra o significado dos seus conflitos e aprenda a reagir de forma diferente diante dos agentes causadores de sua ansiedade. Após criteriosa avaliação de cada caso, o médico deve fazer a prescrição dos medicamentos e acompanhar o paciente, principalmente na fase inicial do tratamento, para um eventual ajuste na dose ou freqüência de uso.

Através da técnica tradicional ou da auriculoterapia, a acupuntura é um tratamento complementar muito valioso porque proporciona relaxamento e o equilíbrio das energias através da estimulação de pontos específicos do corpo.

Fonte: Planeta na Web

Próxima Página »


[ Este Blog reúne artigos de diversos autores e fontes. Todos os arquivos são aqui postados na íntegra, com os créditos a seus devidos autores, assim como as fontes pesquisadas. ]

 

Julho 2009
S T Q Q S S D
« Jun    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  
A Terapia Holística baseia-se no princípio de que toda doença é um desequilíbrio do corpo, mente e espírito, e não apenas uma causa. Que o homem deve ser visto e tratado como um todo, um conjunto, e não por órgãos em separado. A Terapia Holística ocupa-se com o doente e suas manifestações emocionais e mentais, e não só puramente com a sintomatologia da doença. Existem várias técnicas dentro da Terapia Holística, como a Terapia Floral, Fitoterapia, Aromaterapia, Cristaloterapia, Reflexologia, Auriculoterapia, Radiestesia, Cromoterapia, Geoterapia, Cristaloterapia, entre outras. É oportuno esclarecer, que qualquer uma dessas terapias acima não mantêm ligações com práticas "magicas". São cientificamente pesquisadas e tem seus efeitos comprovados ao longo do tempo. A Terapia Holística, às vezes errôneamente, é chamada também de Terapia Alternativa. Este é um engano que cria margem para várias especulações. O termo certo seria Terapia Complementar, já que nenhuma das terapias citadas ou que fazem parte desse campo de atuação, substituem o tratamento médico convencional. De outra forma, podem ser utilizadas simultaneamente ao tratamento alopático, desde que observadas as devidas precauções.

mais acessados

  • Nenhuma

Tags