O pavilhão auricular é um dos vários microssistemas do corpo humano, assim como a palma das mãos, a planta dos pés, o crânio e outros.
Na visão ocidental, cada microssistema mantém estreita relação com os demais sistemas e regiões do corpo através de reflexos cerebrais, ligando-se pela rede do sistema nervoso e comandando suas funções. Sendo assim, quando determinado órgão ou sistema do corpo apresenta alguma disfunção, o estímulo da área ou ponto correspondente na região auricular irá transmitir esta informação aos núcleos cerebrais e provocará a ação de regeneração do cérebro sobre o organismo.
Para a medicina tradicional Chinesa, a comunicação entre as diversas regiões do corpo se dá pelo fluxo do Qi, através de canais e meridianos. Estes canais se comunicam e se reúnem em cada microssistema. Quando ocorre um desequilíbrio no fluxo normal do Qi, o corpo demonstra distúrbios em sua atividade funcional. O estímulo da zona auricular correspondente permitirá regularizar este fluxo e retomar o equilíbrio normal das funções corporais.
A auriculoterapia serve ao tratamento de disfunções, analgesia da dor e também ao diagnóstico, já que é possível identificar-se um processo patológico através da maior ou menor reatividade ao toque em determinada zona auricular.
A auriculoterapia, em sua forma mais rudimentar, tem raízes no Egito, na Pérsia e na China. Ao longo dos séculos, encontram-se diversos documentos que relatam diferentes formas de estimulação de regiões do pavilhão auricular para o tratamento de doenças.
Em 1951, o médico francês Paul Nogier recebeu em seu consultório um paciente relatando que sofria de dor ciática e já havia tentado todos os tratamentos possíveis na época sem sucesso, porém, em uma viagem à Espanha, uma curandeira de Marselha cauterizou determinado ponto em sua orelha e curou sua dor ciática. A partir deste fato, o Doutor Nogier começou a pesquisar outros pontos da orelha para verificar a veracidade desta relação. Descobriu que na China e no Egito já haviam registros de tratamentos utilizando alguns poucos pontos auriculares, porém nada muito profundo e científico. Mais tarde, graças à sua determinação, o primeiro mapa auricular completo com todos os órgãos e vértebras do corpo foi desenvolvido e chegou às mãos do então presidente da China, Mao, que viu na Auriculoterapia uma forma de simplificar a acupuntura.
Os técnicos chineses então assimilaram ao máximo este trabalho, porém adaptando às noções de meridianos, Cinco Elementos e Yin e Yang. Em Dezembro de 1972, a Unidade de pesquisas do Exército do Povo, com sede em Naquim, publicou o primeiro livro especializado com o Mapa chinês, que possuía 200 pontos auriculares.

Como localizar uma zona ou ponto auricular
O pavilhão auricular de cada pessoa apresenta forma e tamanho distintos, variando devido à raça, compleição física e características individuais. Estas pequenas variações não afetam o posicionamento dos pontos auriculares, que se distribuem como um feto em posição cefálica, determinando os princípios gerais da representação de cada uma das partes do corpo humano no pavilhão auricular.
Cada ponto auricular é uma terminação nervosa. O estímulo exercido sobre ele percorre os ramos nervosos até o tronco cerebral e em seguida até a região do córtex cerebral correspondente ao órgão ou função estimulada, de onde é enviada uma mensagem da glândula hipófise (pituitária), a qual governa todas as glândulas do corpo para equilibrar as funções do órgão estimulado.
Quando sucedem desequilíbrios em nosso organismo, estes se manifestam no ponto ou área da orelha correspondente ao órgão ou função comprometida, através de mudanças morfológicas, na coloração da pele, dor à pressão, baixa resistência elétrica, etc. O ponto diagnosticado é então empregado para o tratamento aplicando-se sobre ele agulhas, sementes, cristais de quartzo, eletroestimulação, moxabustão, entre outros, obtendo assim a melhora dos sintomas e da causa do desequilíbrio.
Na Auriculoterapia é possível tratar qualquer tipo de desequilíbrio, seja ele de fundo orgânico ou emocional, podendo ser associada a qualquer terapia como o Reiki, a Massoterapia (Shiatsu, Tui-ná, Do-In, Ayurvédica, etc.), a Fitoterapia (plantas medicinais), os Florais de Bach e muitas outras. As crianças também podem ser tratadas pela Auriculoterapia com a vantagem de não ocorrerem efeitos colaterais. A única contra-indicação seria para as gestantes até o 5º mês de gravidez, pois existem pontos que atuam sobre o útero e poderiam provocar o aborto, porém pode-se realizar qualquer tratamento que não incida sobre estes pontos. Os resultados mais conhecidos dado o seu sucesso são os de: Emagrecimento, Tabagismo, TPM e dores de qualquer origem.
Atualmente, a Auriculoterapia é considerada parte importante da Medicina Tradicional Chinesa e pode ser utilizada tanto como técnica complementar à Acupuntura como técnica principal, pois possui um corpo teórico independente no tratamento e diagnóstico de distúrbios, sendo, inclusive, reconhecida pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
Por estimular o próprio organismo a se curar, produzindo substâncias que venham restabelecer o funcionamento equilibrado dos órgãos, a Auriculoterapia vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento dentro da área das Terapias Naturais a nível mundial e agora também no Brasil.
Existem várias formas de estímulo ao pavilhão auricular, que podem ser escolhidas de acordo com a experiência do terapeuta ou de acordo com a resposta terapêutica do paciente. Normalmente são utilizadas sementes, agulhas filiformes e/ou agulhas semi-permanentes. Podem ser utilizadas também esferas de ouro, prata, aço, cristais, eletroestimulação, laser ou massagens auriculares.
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